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Russomanno é condenado por prometer a criança doente e não cumprir

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Além de Russomanno, três empresas se promoveram prometendo empregos e tratamento médico à família

Do jornal O Estado de S. Paulo (CX)

O candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno (PRB) foi condenado pela Justiça por danos morais e materiais causados a uma família por nunca ter cumprido promessas veiculadas em um programa de televisão que apresentava em 2003. Russomanno posou de salvador dos pobres prometendo tratamento médico a um garoto de 8 anos e emprego aos seus pais, e empresas se beneficiaram do sentimentalismo oferecendo empregos.

A avó do garoto Alexandre Silva Moraes, Otacília da Silva Moraes, procurou o programa do então deputado na RedeTV! para pedir ajuda. Os pais desempregados não tinham condição de pagar o tratamento para o desvio no tórax, problemas na coluna e o tratamento de hidroterapia.

Marketing do sofrimento

Russomanno fez propaganda de três empresas em cima do sofrimento da família, garantindo que elas resolveriam os problemas daquela família. A V&A Representante Autorizado Trasmontano ofereceu o tratamento de hidroterapia, a Microlins ofereceu emprego de recepcionista à mãe do garoto, Sueli Silva, e a Rede Auto Posto Lava Bem ofereceu ao tio, Sérgio Aparecido Ramos.

“Quero anunciar para todo o Brasil que você é a nova recepcionista na zona oeste de São Paulo”, afirmou o representante da Microlins. Russomanno emendou: “Parabéns, parabéns pelo seu novo emprego e vai, vai…passar o Natal agora já empregada, né?”, conforme foi transcrito na sentença judicial. O funcionário da Microlins dá um cartão da empresa a Sueli com a promessa de que ela começaria a trabalhar na segunda-feira seguinte. Ele faz propaganda da empresa e deixa o telefone de contato. O mesmo foi feito com as demais empresas.

Abuso e impunidade

A ajudante de limpeza Sueli Silva afirmou estar satisfeita com a condenação judicial. Ela mora na periferia de Sorocaba (SP), em local onde não há asfalto e nem saneamento básico. Devido à condição miserável da maioria das pessoas que aparece no programa, não imaginavam que procurariam advogados para o processo.

A avó Otacília disse: “É bom pra ele parar de fazer a gente de bobo. A gente foi usada. Foi uma frustração. Você entra num desespero sabendo que tem uma coisa com que contou e perdeu. Se não quisesse ajudar, não ajudasse”.

A condenação ocorreu na primeira instância em novembro, mas o candidato e os outros réus apelaram à segunda instância. Na sentença, a juíza Ana Cláudia Dabus decidiu que Russomanno, a RedeTV! e três empresas devem pagar R$ 40 mil à família. A família também recorreu para aumentar o valor da indenização.

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