Caroline é formada jornalista pela Universidade São Judas Tadeu (Acervo Pessoal)

Portadora de deficiência denuncia dificuldades em concurso público

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Caroline Parra necessitava de uma prova ampliada, ao invés disso recebeu uma normal e de outra área

Por Mario Henrique de Oliveira

A Fundação Getúlio Vargas realizou, no último domingo, 14, um concurso público de âmbito nacional para o preenchimento de 246 vagas no Senado Federal. Mais de 150 mil pessoas fizeram a prova, disputando salários que chegavam a R$ 23 mil. Uma delas era Caroline Parra, que viu esse sonho virar pesadelo quando foi fazer a prova.

Formada em jornalismo, Caroline guardou sua prova para comprovar o erro (Foto: Acervo Pessoal)

Caroline é portadora de Mucopolissacaridose VI, uma doença rara, que entre outros sintomas causa problemas de visão e de mobilidade. No ato da inscrição, munida com atestados médicos, ela fez o pedido de mesa especial para cadeirante e prova ampliada. Seus pedidos foram devidamente acatados.

Foi somente quando chegou à Faculdade Uninove, localizada na Barra Funda, para fazer a prova, que seus problemas começaram. Segundo a candidata, minutos após receber em mãos a prova correta, ampliada e com o título “Redação e Revisão”, área para qual se inscrevera, ela e todos da sala tiveram suas provas retiradas sob a alegação de que estavam incorretas.

Logo em seguida as fiscais entregaram a todos uma nova prova, esta sem ser ampliada e com o título “Administração”. “Questionei as fiscais sobre isso. Precisava, assim como todos da sala, da prova ampliada. Perguntei também porque não constava na capa o nome da área para a qual me inscrevi. Só me disseram para fazer, que eram todas iguais e que estavam certas”, diz Caroline.

Mesmo a contragosto, Caroline fez a prova, mas só conseguiu isso pois sempre carrega consigo uma lupa. “Um senhor do meu lado também só fez porque eu emprestei uma outra lupa para ele. Do outro lado, um homem tinha que, literalmente, colocar a prova na cara para poder ler”, lembra ela. O conteúdo da área específica também deixou Caroline desconfiada, pois não era compatível com a sua, mesmo assim foi instada a fazê-la.

Após realizar a prova, Caroline tentou entrar em contato com a FGV, que informou que as reclamações devem ser feitas via e-mail. Ela o fez pelo menos cinco vezes. Ainda não obteve nenhuma resposta. A candidata também reclama que teria acontecido diversas trocas de fiscais durante a realização da prova, tendo uma delas inclusive, chegado a adormecer no local.

Procurada pela reportagem do SPressoSP, a FGV informou que já tem conhecimento da reclamação de Caroline e que vai analisar mais profundamente o ocorrido. Não estabeleceram data, pois devido ao tamanho do concurso, a Ouvidoria tem recebido diversos pedidos e reclamações e isso leva tempo para ser totalmente resolvido.

A fundação recebeu informações internas de que a candidata não teria aceitado fazer a prova ampliada por não ser da mesma cor e tipo marcada em sua etiqueta de informação, mesmo após explicação de que todas as provas especiais são marcadas como Tipo 1, idependente da cor de identificação. Caroline teria se negado e, por isso, recebido uma prova “normal” da sua área de inscrição. Ela diz que isso não é verdade, afirmando que foram as fiscais que retiraram as provas e que, inclusive, teve que emprestar uma lupa a um colega. Ela também guarda sua prova (foto acima), como garantia de que não fez a correta.

Foi adiantado pela FGV que Caroline muito provavelmente não precisará realizar uma nova prova. A que ela fez, mesmo sendo de Administração, vai valer. De acordo com o informado, a prova de administração e redação seriam bastante semelhantes. A fundação ainda disse que a candidata tinha a opção de fazer a prova ampliada ou não. No entanto, não soube responder porque ela recebeu uma prova de Administração. Também não falaram nada sobre a troca de fiscais. Porém, disseram que o caso ainda será melhor estudado.

Outros casos

Esse mesmo concurso já havia apresentado problemas. As provas para três áreas específicas foram canceladas por falta de exemplares suficientes para todos os candidatos. Aqueles que realizaram terão que refazer o concurso. As áreas atingidas foram as de analista de sistema, analista de suporte de sistemas e enfermagem.

 

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