ato paulista pinheirinho

Paulista para contra invasão da PM no Pinheirinho

Geral 6 Comentários 1

Cerca de 600 pessoas protestaram contra a ação policial violenta que expulsou 2 mil famílias moradoras de terreno em São José dos Campos

Por Adriana Delorenzo

Moradores correram para tentar salvar seus pertences (Foto: Dep. Ivan Valente)

Manifestação convocada pelas redes sociais reuniu aproximadamente 600 pessoas em defesa da Ocupação Pinheirinho, na Avenida Paulista, na tarde deste domingo, 22. Isso porque os cerca de 10 mil moradores, que ocupavam um terreno abandonado desde 2004, em São José dos Campos (SP), foram expulsos violentamente. A área pertence ao empresário Naji Nahas, e a comunidade vinha requerendo o direito a permanecer no local. Na sexta-feira, 20, decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, do desembargador Antonio Cedenho, suspendeu a ordem de reintegração de posse da ocupação.

Mesmo com a decisão federal, a polícia militar realizou a desocupação com forte aparato, com helicópteros, blindados, armas, bombas de gás e pimenta, a mando do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da cidade, Eduardo Cury, também do PSDB. A ação foi acompanhada pelo juiz do TJ paulista, Rodrigo Capez, irmão do deputado estadual tucano Fernando Capez.

O senador Eduardo Suplicy (PT), os deputados Paulo Teixeira (PT) e Ivan Valente (PSOL) e o presidente do PSTU, Zé Maria, tentaram entrar na área e negociar uma solução pacífica, porém foram impedidos. O senador, antes de ir à ocupação, foi até o Palácio dos Bandeirantes, às 7h da manhã, para pedir que o governador do estado cumprisse a decisão federal. Mas Alckmin afirmou que seguiria a decisão da justiça paulista. Ao jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, o senador afirmou que havia um acordo para que a desocupação fosse adiada. “Na ocasião ficou acertado com o juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, responsável pelo processo de falência da Selecta, Jorge Uwada, administrador da massa falida, e Waldir Helu, advogado da empresa, que se esperaria 15 dias para que qualquer decisão fosse tomada”, diz.

Foram montadas tendas para que a população fosse cadastrada. Segundo informações de pessoas que acompanharam a ação policial no local, o cenário era similar ao de um campo de refugiados, com a população amontoada com crianças, cachorros, botijões de gás, senhoras chorando. O clima era de desespero entre os moradores.

Depois do protesto em São Paulo, nesta segunda-feira, 23, estão sendo convocadas manifestações em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza. Diversas entidades já divulgaram notas em solidariedade aos moradores do Pinheirinho destacando que a ação foi ilegal e violenta.

Comentários

Comentários

6 Comments

  1. Marco Aurélio Leite da Silva 22/01/2012 at 21:36

    O Secretário Geral da Presidência (status de Ministro) considerou que a reintegração de posse violenta do Pinheirinho foi precipitada e disse que estranhou o fato do Prefeito Municipal de São José dos Campos, Eduardo Cury, ter cancelado uma reunião na quinta-feira. A reunião seria para tratar desse assunto. O Secretário Geral, segundo noticiado, telefonara para o Governador do Estado, Geraldo Alckmin..

    Pelo visto, no Estado Brasileiro as esferas Federal, Estadual e Municipal vivem em universos diferentes… Não conseguem se comunicar, ou, o que é muito pior, uma não considera o que a outra tem a dizer sobre coisa alguma…

    Situações como essa fazem o País — tão cantado e decantado por sua pujança econômica — desnudar-se diante das demais nações como um típico representante do 3º Mundo…

Deixe um comentário


CC 3.0, exceto quando especificado ou para conteúdos reproduzidos de terceiros. O crédito à SpressoSP é obrigatório. Por Bryan.com.br

Buscar

Back to Top