Músicos, poetas, grafiteiros e a comunidade transformam o sarau do Coletivo Perifatividade num verdadeiro manifesto
Por Igor Carvalho
No número 1.007 da Av. Nossa Sra. da Saúde, no bairro Vila das Mercês, zona Sul de São Paulo, acontecem os saraus do Coletivo Perifatividade, fundado pelo líder comunitário Paulo Rams, e coordenado, também, por seus mais antigos integrantes, Vinão Alobrasil e Fabner Camilo. O encontro, realizado duas vezes por mês, atrai moradores do bairro e entusiastas do movimento.
Entre um caldo de feijão e outro, servidos por Boné, o proprietário do bar que funciona como sede do sarau, os frequentadores arriscam declamar poemas. Com o microfone aberto e disponível, o evento transita do discurso artístico para o político com absoluta naturalidade. Para Paulo Rams, essa transição é um valor intrínseco na atuação do coletivo. “Nós que organizamos, somos músicos, poetas, grafiteiros e professores, que nos juntamos pra fazer um sarau que, na verdade, se tornou um manifesto. A partir desse encontro e dessa convivência, a gente articula políticas públicas para a região”, disse.
Janaina Moitinho, estudante de pedagogia, participou pela primeira vez do encontro no Bar do Boné e saiu satisfeita. “Achei ótimo, fiquei feliz por ver esse movimento acontecendo perto de mim, no meu bairro”, diz ela, que promoteu voltar com um poema para declamar. “A mudança social vai ocorrer aqui, com essa articulação.”
O envolvimento dos participantes com o movimento é recorrente. Osmar Art’tude, grafiteiro, começou a frequentar os saraus do Coletivo Perifatividade há um ano, sua identificação e o impulso em ajudar o levaram a aplicar nas paredes do bar o rosto de diversas personalidades, de alguma forma ligadas a movimentos sociais ou culturais, usando a técnica de stencil. “Já conheço esse rolê há um ano, comecei a ver que a nossa voz tem um alcance que a gente nem imagina, basta fazer acontecer. Estamos, assim, agregando as mentes para declamar e conversar”, afirmou.
As poesias e as músicas são de autoria dos próprios integrantes e conhecidas pelos frequentadores. Os improvisos de MC’s, em cima de bases de groove, também fazem sucesso nos saraus. Sem perder o foco reivindicatório do movimento, o MC Vinão Alobrasil explica: “Faz parte desse lance de poder reivindicar o que a gente quer, se a gente não gosta, vamos bater o pé e falar isso. É muito mais uma forma de manter o poder na nossa mão do que um parâmetro artístico”.
O Sarau se torna um espaço para aproximar os moradores da região. “Não queremos fazer arte pela arte, a poesia é importante, incentivar a leitura é prioridade, mas isso deve ser um instrumento de intervenção direta na comunidade”, finaliza Paulo Rams.
O evento já recebeu visita de outro coletivo artístico, o Sarau Poesia da Brasa, com sede na Brasilândia, zona Oeste de São Paulo e que também organiza um sarau próprio. Juntos comemoraram a eleição de Rodrigo de Oliveira, conhecido como Di Menor, integrante do coletivo que se elegeu Conselheiro Tutelar no Ipiranga, mostrando a força da atuação do grupo na região. O Sarau Perifatividade ocorre a cada 15 dias, sendo que o primeiro é realizado no CEU do Pq. Bristol e o segundo no Bar do Boné, com caldo de feijão.
Tags: Bar do Boné, Coletivo Perifatividade, Paulo Rams, periferia, sarau, Sarau Poesia da Brasa, Vila das Mercês
[...] Por Igor Carvalho, do SPressoSP [...]
Ótima matéria, parabéns Igor Carvalho pelo trabalho. Venha mais vezes em nosso Sarau e traga seus companheiros nossa proposta é de todos. Atuação e expressão é a essência do ser humano. Vamos juntos atuar nesse palco chamado vida. E expressar aquilo que nos indigna, sessamos de estar calados. Muito obrigado pela matéria. PARABÉNS…
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